Cómo se hizo la portada del año ‘Um milhão’ de Público


La portada ‘Um milhão‘ de Público (Portugal) ha sido la portada del año en diarios y semanarios en los ÑH20. Hablamos con Sónia Matos, directora de Arte de Público, para ver cuál es la historia tras la portada y cómo fue el proceso de trabajo.

 

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¿Cuál es la historia tras esta portada?
Um milhão era um número assustador e imenso. E sabíamos que não iria ficar por aí, continuaria a crescer… Era importante conseguir passar esta ideia, não só de quantidade mas também de continuidade, de uma forma imediata e eficaz.

Apesar de ser um marco achei que escrever 1.000.000 não chegava e não havia nenhuma fotografia que transmitisse esta ideia de quantidade. Então lembrei-me de uma capa que eu tinha feito, ainda no jornal O Independente, para assinalar 100 edições do suplemento Índigena onde marcava cada edição com um traço. O conceito de marcar uma contagem podia funcionar. Pensei que se multiplicasse aquele contador milhares de vezes conseguiria passar a mensagem.

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¿Cómo fue el proceso de la portada? 
Percebi que não podia fazer os traços à mão. Eram demasiados. Então usei os caracteres |||| e —. Tudo feito no InDesign. Estão 50.000 traços naquela 1ª Página. Tantos quanto possível para que nunca se deixasse de perceber o contador. Mais pequeno não funcionaria tão bem… A ideia de escrever 1.000.000 a vermelho a meio da linha, e não no fim, foi para vincar bem que o número continuaria a crescer, que não terminaria ali. A contagem continuava…

Na primeira maquete da capa não havia título explicativo, só uma legenda. Deixar a imagem falar por si. Mas a Direcção sentiu falta de um título para agarrar melhor a ideia e ainda fiz 2 versões até chegarmos à versão final, onde acabei por destacar a palavra Covid-19 e colocar um título mais literal. Um segundo título e outras chamadas ajudaram a marcar a hierarquia da página apesar de esta ser monotemática. Tudo girava à volta do Covid-19.

 

Só a título de curiosidade, houve quem contasse os traços (ninguém acertou no número exacto) e houve até quem se queixasse da falta de rigor por não estarem lá um milhão de traços. Mas acredito que a mensagem passou. As pessoas perceberam bem a dimensão da tragédia, sentiram o impacto da contagem. E quando, 6 meses depois, o mundo atingiu 1 milhão de mortos por covid-19 usei a mesma base do contador para ilustrar o número 1.000.000, mas desta vez em fundo negro.

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