Salve a guerra nossa de todos os dias


Mientras nos preparamos para los Premios ÑH20, convocatoria abierta a partir del 15 de septiembre, reunimos algunos comentarios del jurado de la pasada edición para saber más sobre el proceso de juzgar, sobre su experiencia e impresiones. 

Marco Grieco nació en Río de Janeiro, Brasil. Se graduó en Diseño en la UERJ School of Industrial Design en 1996, y comenzó a trabajar al año siguiente en el periódico de Río O Dia. En 2000, fue invitado por el diario portugués Jornal de Notícias al puesto de editor de Arte y emigró a Oporto. En 2006, regresó a Lisboa para convertirse en director de Arte del semanario Expresso. En más de 20 años de vida profesional, ha recibido varios premios y reconocimientos de SND, SND-E y European Newspaper Awards, entre otros. Desde que se hizo cargo del talentoso equipo de arte de Expresso, el semanario de Lisboa ha sido elegido como el Periódico Mejor Diseñado de la Península Ibérica (ÑH6/2009), el Periódico Mejor Diseñado en Europa en dos ediciones (2007 y 2016) y también recibió el SND World’s Best Designed Newspaper, dos años (2008 y 2009).


Trabalhar num meio de comunicação, jornal, revista, televisão, não é fácil. Visto de fora, pode até parecer um mundo encantado e idílico. Mas nunca foi. Desde sempre as ameaças são mais que muitas e as recompensas menos que poucas… Estivemos, estamos e estaremos sempre em guerra. Uma guerra por vezes surda, mas que grita cá dentro. 

Nas contas de somar e subtrair, quase tudo é negativo nos dias que correm. Menos vendas em banca, menos receitas de publicidade. O papel é cada vez mais caro, as gráficas estão em rutura e a mão-de-obra qualificada é um bem escasso. Nos quatro cantos do mundo moderno, as redações são mais enxutas e mais baratas a cada hora que passa, enquanto as edições digitais, regra geral, não pagam sequer os seus próprios custos.

Tudo isso exacerbado pelo roubo descarado promovido pelos gigantes que não produzem nada mas apoderam-se de tudo. Google, Facebook, Twitter e afins, agregadores que hoje ficam com a fatia mais robusta dos lucros. Quem deu a mão fomos nós, quando lançamos sites de notícias gratuitas e nos esquecemos de valorizar o nosso bem maior. E eles levaram-nos os braços. Transformaram tudo em bem comum.

Entregamos, literalmente, o ouro ao bandido. Quando os grupos de comunicação acordaram, já era tarde. Mesmo assim, é inacreditável que infindáveis políticos e as suas incontáveis leis não tentem sequer tornar esta relação mais justa e equilibrada. A balança uma vez mais pende desfavorável para as redações e as empresas que as gerem.

Esqueçam a batalha que sonhamos travar entre a imprensa rotulada de ‘popular’ e a imprensa dita “de referência”. A nossa luta hoje é para mantermos o jornalismo de qualidade sustentável, seja ele para que público for. Esta contenda não interpõe classes sociais nem géneros, ela é fundamental para a existência de uma sociedade contemporânea livre. Temos que continuar a ser relevantes para quem nos lê, para quem nos vê, para todos os que ainda confiam em nós.

O cenário é desolador visto cá de dentro… Mas, nas trincheiras, na resistência das redações, luta-se todas as semanas, todos os dias, todas as horas, todos os minutos pelo pão nosso de cada dia. Por vezes, o pão que o diabo amassou. Uma luta que hoje envolve muito mais que o jornalista que traz a entrevista, a reportagem, a investigação ou o exclusivo. São batalhas de uma guerra que é de cada elemento da redação e da organização como um todo.

Fotógrafos, infografistas, designers, programadores. Pessoal do marketing, dos novos negócios, da publicidade, da distribuição. Todos, sem exceção. Nunca na história recente do Jornalismo foram precisas tantas mãos a remar para o mesmo lado.

Felizmente, o que se vê nos trabalhos publicados neste livro – e noutros tantos exemplos que acabaram por não ser premiados – faz-me acreditar que há ainda muitos e bons motivos para acreditar no Jornalismo e na sua vertente Visual.    

Garanto-vos: ainda há muito sangue nas veias jornalísticas da América Latina e da Península Ibérica. E a guerra está longe de terminar.

Às armas!

Este texto fue escrito para el libro ÑH19 que reúne los trabajos
ganadores de la edición de 2019 y las impresiones del jurado.

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