Jornais feios


Mientras nos preparamos para los Premios ÑH20, convocatoria abierta a partir del 15 de septiembre, reunimos algunos comentarios del jurado de la pasada edición para saber más sobre el proceso de juzgar, sobre su experiencia e impresiones. 

Saulo Santana ha diseñado y rediseñado diferentes publicaciones alrededor del mundo. Actualmente es director de Arte de Bild am Sonntag en Alemania (el periódico semanal más grande de Europa). Anteriormente fue director de Arte de Correio Braziliense (SND World’s Best Designed Newspaper) y en el diario deportivo Marca (España/Brasil). En los últimos 15 años, ha realizado diferentes contribuciones en medios impresos y digitales para más de 30 periódicos y revistas de Europa, Sudamérica y Medio Oriente.


Ao final dos dias de jurado em Buenos Aires, uma pessoa me perguntou: “Mas porque os jornais populares são tão feios?”. Me veio em mente apenas uma resposta: “O que é feio?”.

Me preocupa quando nós designers ou jornalistas visuais, acreditamos que podemos ser os donos do critério “beleza”. Me preocupa que não consigamos enxergar além disso. Na realidade, interpreto esse tipo de visão como o não se esforçar para entender o que nos coloca em conflito: o que achamos “errado” também pode funcionar e vender milhões. O problema está em parar aqui, no julgamento.

Pouco se estuda sobre jornais populares. Muito se julga. E muitas das vezes quem julga, nem mesmo consome tais publicações. Vamos quase sempre no caminho mais fácil de juntar as características que sempre escutamos, e com muita prepotência, definimos nelas todos os jornais populares do planeta. Nos últimos anos vi jornais tradicionais ganharem prêmios de “mais bem desenhados do mundo” e fecharem as portas. Mas nunca vi jornais populares, que tem a circulação ainda hoje na casa dos milhões, ganharem tal prêmio – talvez seja melhor assim. (Seria aqui também fácil simplificar e dizer que o “bom design” pode matar os jornais. Mas não cometerei o mesmo erro, e não colocarei tudo no mesmo pacote). Talvez seja a hora de olharmos com outros olhos para esses jornais. Talvez seja a hora de, ao invés de julgar, começarmos a questionar, para poder entender e, depois, propor.

Não acredito que um jornal popular precisa ser mal desenhado para ser popular. Acredito que é possível fazer jornalismo visual de qualidade também nesse tipo de mídia. Jornais populares são únicos, e nosso principal erro começa quando criticamos sem conhecer não apenas a publicação, mas também a realidade local onde ele é publicado (que a meu ver é por onde deveríamos começar a compreensão de um jornal popular).

Jornais populares não precisam de rótulos ou receitas. Jornais populares precisam apenas de uma coisa: conhecer seu leitor e seu entorno. Feio? Bonito? É hora de irmos além desses julgamentos vazios.

Este texto fue escrito para el libro ÑH19 que reúne los trabajos
ganadores de la edición de 2019 y las impresiones del jurado.

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