Sobre alfajores e layouts


Mientras nos preparamos para los Premios ÑH19, convocatoria abierta hasta el 1 de septiembre, reunimos algunos comentarios del jurado de la pasada edición para saber más sobre el proceso de juzgar, sobre su experiencia e impresiones. 

 Guilherme Falcão es el editor de Arte del Nexo Jornal de Brasil. Es licenciado en Diseño Gráfico por la Facultad Senac y tiene posgrado en Crítica y Curadoría de Arte por PUC Sao Paulo. Pesquisa y trabaja en diseño para publicaciones autorales, periodismo y educación. Es creador de proyectos como A Escola Livre y CONTRA Editora, y enseña design editorial en EBAC en Sao Paulo. Sus trabajos hacen parte de colecciones como la de MoMA NY, Houston Museum y Bienal de Sao Paulo.


Café, chá, capa de revista, água com gelo, infografia, ilustração, milanesas, inovação digital e vez ou outra “un Jorgito, por favor”. Depois dormir, acordar e repetir. Ao longo de três dias a vida do autor deste texto foi uma rotina aparentemente repetitiva, mas rica em detalhes e plena de minúcias. Um pouco como a missão que eu e meus colegas tínhamos diante de nós: afiar o olhar na busca de tentar compreender como na aparente estrutura rotineira, projetual e repetitiva do design jornalístico, algo poderia surpreender e motivar a excitação pelo novo, o brilho no olhar quando nos deparamos com algo fresco.

As (longas) discussões em torno do mérito objetivo de cada peça eram na verdade (longas) indagações e (longuíssimas) reflexões sobre o que estava em jogo na constante fricção entre jornalismo e design. Como se o que estivesse ali na nossa frente, cada um dos trabalhos inscritos, trouxesse consigo uma caixa de Pandora. Questões sobre o tensionamento de categorias — este trabalho é bom design, é bom jornalismo, é bom design jornalístico, e como a edição atravessa transversalmente o olhar do designer e do jornalista — e provocações sobre o estado da arte de nossas profissões — o quanto do jornalismo de hoje, na ânsia de compreender como responder a um mundo cada vez mais imagético, inquieto e pleno de estímulos, tenta entender como contar boas histórias de maneira visual.

E então como isso nos levava, num exercício igualmente prazeroso e penoso, a compartilhar questões intrínsecas sobre fatos fundamentais não apenas do que fazemos como profissionais, mas de como nos comunicamos como povo. Num tempo em que se discutem as noções de gêneros e seus papéis, como pensar uma revista impressa para o homem ocidental? Futebol é alta ou baixa cultura? Como falar sobre assuntos delicados com seus filhos? Como retratar a miséria humana nas tragédias ambientais? As tragédias raciais, sociais, políticas.

Entre um café e um alfajor, enveredávamos por discussões que procuravam até redefinir os rumos das categorias e o porquê de se distribuir prêmios. E nos momentos de extrema confusão, se havia um critério absoluto de desempate, era talvez o motivo de estarmos todos ali: não o design, mas sim o jornalismo. E daí vem talvez a lição mais importante desse intenso processo: a máxima de que o conteúdo é rei.

E quando éramos pegos de surpresa nossos olhos brilhavam — o conteúdo estava ali, o casamento perfeito entre um belo trabalho jornalístico e de design. Um bronze, uma prata, um ouro, um prêmio.

Eu costumo dizer que o bom trabalho de design é aquele que me desperta uma necessidade urgente de abrir um software e começar a desenhar, ou que me motiva a rabiscar alguma coisa ali mesmo no guardanapo, assim, desesperadamente. Por isso sente, pegue uma água, um café, um chá, un Jorgito. Que as páginas a seguir despertem em você um pouco dessa necessidade.

Guilherme FalcãoNexo Jornal, Brasil / Juez en los Premios ÑH18

Este texto fue escrito para el libro ÑH18 que reúne los trabajos
ganadores de la edición de 2018 y las impresiones del jurado.

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